o breu; o brilho
dentro desse breu encontro pontos brilhantes, vagalumes na noite sem lua. sem foco. minha atenção nesses pontos de luz, o breu em si se alumia. olho pro céu e não vejo sol. olho pra superfície plana de um lago e vejo um céu inteiro, ainda que dia. em um longo caminho simples e felizes repetições. a força e a aceitação nos sujeitos da natureza. um nada espesso fio de água que escorre insistente por entre blocos frios de pedra dura escura. um caminho de aparentes domesticadas pedras brancas com um centro já sem pedra, como se apenas nesse centro passassem patas. o caminho, a bifurcação, uma ilha, e apesar dos distintos caminhos, o destino é sempre o mesmo. uma flecha indica a direção, um traço humano, o único (?) traço humano. ir ou fugir? fugir ou ficar? um: ir, seguir, caminhar, força, ação. dois: ficar, aceitar, receber, oferecer, florir. três: a explosão da vida. o brotar de uma galaxia. uma planta que mais parece uma intrusa em uma pedra, tão inóspito habitat. a vida que nasce no duro, do duro, do hostil, da espera do inesperado. a vida querendo viver mais que a morte. o improvável, o inverossímil. lampejos. a luz que surge de baixo, refletida por uma pequena superfície aquosa de desconhecida profundidade. o breu, o brilho; o encontro do breu com o brilho. existencia do movimento, equilíbrio entre os extremos. dois distintos e opostos e complementares que criam o terceiro. o três da harmonia e da união dos contrários, rompendo com a dualidade e o antagonismo. tríade, o resultado da inteligência ativa e a matéria passiva: um; monada; ativo. três também é pedido de socorro, 


 

breu

chapada dos veadeiros 2015

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